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Salgueiro resgata croqui histórico de Rosa Magalhães e transforma memória em homenagem no dia em que a artista completaria 79 anos

  • Foto do escritor: Fala Galera Oficial
    Fala Galera Oficial
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Foto: Gusmão
Foto: Gusmão

Por Renata Campagnuci


O Salgueiro voltou seus olhos para a própria história ao divulgar a fantasia das baianas intitulada “Amigas do Rei – Damas da Corte”, inspirada em um croqui original criado por Rosa Magalhães para o desfile de 1990, transformando memória em homenagem no dia em que a professora carnavalesca completaria 79 anos. O desenho, encontrado há cerca de seis meses, passou a integrar o processo criativo da escola como referência simbólica e afetiva, reafirmando a ligação profunda entre a vermelho e branco da Tijuca e uma das maiores artistas que o Carnaval já teve. Mais do que uma releitura estética, o gesto representa o encontro entre passado e presente, tradição e continuidade, pilares que sempre sustentaram a identidade do Salgueiro.


Rosa Magalhães construiu uma trajetória marcada pelo rigor histórico, pela imaginação exuberante e pela capacidade de transformar pesquisa em espetáculo popular. Professora, artista plástica e cenógrafa, ela ajudou a redefinir a linguagem visual dos desfiles ao longo de décadas, influenciando gerações de carnavalescos e consolidando o Carnaval como expressão artística complexa e sofisticada. Sua relação com o Salgueiro é parte essencial dessa história, já que a escola esteve entre os espaços que contribuíram para sua formação no samba e para a consolidação de sua assinatura estética.


O resgate do croqui dialoga diretamente com o enredo desenvolvido pelo Carnavalesco Jorge Silveira e o Enredista Leonardo Antan que a escola levará para a avenida, que propõe uma imersão no universo criativo da artista, marcado por personagens simbólicos, referências literárias, elementos da cultura popular e uma narrativa lúdica, característica central de sua obra. Ao revisitar um desenho criado décadas atrás, o Salgueiro não apenas reverencia Rosa, mas reafirma o valor da pesquisa, da memória e da construção coletiva do Carnaval, materializada agora na ala das baianas, símbolo de tradição, ancestralidade e respeito dentro do desfile.


Esse processo só se torna possível graças à preservação de sua produção artística. O vasto acervo iconográfico de Rosa Magalhães, composto por milhares de croquis de fantasias e alegorias desenvolvidos ao longo de mais de trinta anos de carreira, foi doado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e passou por um criterioso trabalho de catalogação e digitalização. Hoje, esse material está disponível para consulta pública em plataforma online, permitindo que pesquisadores, estudantes, profissionais do Carnaval e apaixonados pelo samba tenham acesso direto aos desenhos originais da artista, que revelam não apenas formas e cores, mas o pensamento criativo por trás de cada desfile.


Ao transformar um desses croquis históricos em inspiração para a fantasia “Amigas do Rei – Damas da Corte”, o Salgueiro reafirma o compromisso com a valorização da memória e com a preservação do patrimônio cultural do Carnaval. A homenagem extrapola o aspecto visual e se estabelece como um gesto de respeito a uma professora que ensinou o samba a contar histórias com profundidade, beleza e imaginação, mantendo viva a obra de Rosa Magalhães na passarela do tempo e da Avenida.

 
 
 

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