Entre a memória, o desafio e o amor pela bateria, Mestre Dinho vive um novo capítulo na Unidos de Bangu
- Fala Galera Oficial
- 16 de dez. de 2025
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Por Renata Campagnuci

Assumir a bateria da Unidos de Bangu marca um reencontro afetivo e histórico para o mestre de bateria Dinho. Embora este seja seu primeiro ano oficialmente no comando da bateria, a relação com a agremiação vem de longa data e atravessa décadas de envolvimento com o samba e com a própria comunidade.
“É meu primeiro ano na Bangu como mestre de bateria, porém é uma escola que eu conheço bem. Já desfilei nela nos anos 80 e, ao longo de todos esses anos, sempre ajudei, levei meus ritmistas, dei apoio aos mestres que passaram por lá. Então, para mim, está sendo muito gratificante hoje defender a bandeira dessa grande escola de samba e fazer aquilo que eu mais amo, que é montar uma bateria. Eu gosto desse desafio”, afirma o mestre.
Com uma trajetória marcada pela reconstrução e formação de baterias em diferentes agremiações, Dinho valoriza o processo criativo e o prazer de erguer um trabalho do zero. “Montei bateria na Cubango, no Sossego, na UPM e agora estou montando na Bangu também. Para mim, está sendo muito gratificante”, completa.
O Carnaval que se aproxima traz ainda um ingrediente especial: a homenagem à sambista Leci Brandão, figura central do enredo da escola. Para Dinho, a reverência ultrapassa o aspecto profissional e toca diretamente sua própria história no samba. “É um orgulho e um prazer muito grande poder fazer um trabalho em cima de uma homenagem a essa grande sambista. Eu vivi momentos em que ela fazia parte do Clube do Samba, daquela geração de João Nogueira, Roberto Ribeiro, e eu fazia parte garotinho daquele time. Trabalhei com o João por mais de dez anos, com Clara Nunes, Beth Carvalho, toda aquela turma da antiga, da mesma época da Leci. Tive o prazer de participar de alguns momentos com ela”, relembra.
A identificação com a homenageada influencia diretamente a construção musical da bateria. “Está sendo muito gratificante, prazeroso e criativo, porque eu tenho que criar em cima daquilo que ela gosta. Ela é mangueirense, gosta de pagode, então já estou trabalhando muito em cima disso. Vai ser um prazer enorme passar na Avenida homenageando essa grande sambista”, diz.
Conhecido por uma marcação forte e bem definida, Dinho promete uma bateria imponente, sem abrir mão da identidade que construiu ao longo dos anos. “Todo mundo já conhece meu trabalho. Eu gosto de uma bateria com marcação pesada, bem marcada. Vou levar três bossas para a Avenida. Uma bem característica, a cara da Leci Brandão; o meu paradão, que é tradicional; e estou resgatando também uma bossa que fiz em 2006. Em 2026 completo 20 anos de Sapucaí como mestre de bateria e estou trazendo de volta uma criação minha daquele carnaval”, revela.
Além das bossas e do paradão, o mestre destaca o respeito absoluto ao samba-enredo. “Vou trabalhar algumas levadas no samba porque o samba merece. Mas vai rolar Mangueira, hein?”, finaliza, com o sorriso de quem une experiência, memória e ousadia para defender, mais uma vez, a batida do coração do carnaval.



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