OPINIÃO: Infância, educação e responsabilidade: o combate ao racismo começa dentro de casa e na escola
- há 2 dias
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Por Renata Campagnuci
O combate ao racismo não pode ser tratado como um debate abstrato ou como algo “pontual” dentro do ambiente escolar. Ele precisa ser encarado como um problema estrutural que começa muito antes da sala de aula começa na formação moral, ética e social das crianças dentro de casa. É no núcleo familiar que se constrói a noção básica de respeito ao outro, de civilidade e de limites. Quando uma criança reproduz uma ofensa racial, isso não surge do nada: é, em grande parte, reflexo do que ela observa, escuta ou normaliza no seu entorno.
Por isso, episódios como envolvendo Sofia a filha do mestre-sala Diogo Jesus, da Mocidade Independente de Padre Miguel precisam ser tratados com a máxima seriedade. Não se trata de um “deslize infantil”, mas de uma expressão de uma falha grave de formação, que exige responsabilidade compartilhada entre família e instituição de ensino.
Segundo o relato do pai, a menina foi alvo de uma ofensa racista dentro da escola, ao ser chamada de “escrava” por um colega. A reação da família foi imediata e o caso expôs não apenas a violência do ato em si, mas também a urgência de uma resposta educativa e disciplinar firme.
Como afirmou Diogo Jesus, em manifestação pública: “Racismo é crime. Em pleno 2026, dentro de uma escola particular, isso não deixou de acontecer”. A fala sintetiza um ponto central: não há espaço para relativizar esse tipo de conduta, independentemente da idade de quem a pratica.
É fundamental compreender que crianças precisam ser educadas desde cedo para reconhecer o impacto de suas palavras e atitudes. Respeito não é algo espontâneo é construído. E quando essa construção falha, o resultado aparece justamente em comportamentos agressivos, discriminatórios e socialmente perigosos. Cabe aos pais o papel inegociável de orientar, corrigir e estabelecer limites claros sempre que a conduta ultrapassar a linha do respeito.
Ao mesmo tempo, a instituição de ensino não pode atuar como espectadora. A escola deveria ser o primeiro espaço de enfrentamento ao racismo, com protocolos claros, ações pedagógicas firmes e postura de intolerância absoluta a qualquer forma de discriminação. Não basta apenas “apurar o caso”: é necessário educar, corrigir e prevenir novas ocorrências de forma estruturada.
O próprio Diogo também destacou o posicionamento da família após o ocorrido, reforçando que não haverá silêncio diante da situação. “Não vamos nos calar, não vamos deixar passar pano em uma atitude como essa. Nós não vamos sucumbir”, declarou.
O ponto central deste episódio não é apenas a dor de uma criança vítima de racismo, mas o alerta coletivo que ele provoca: sem responsabilidade dos pais, sem ação firme das escolas e sem consciência social, seguimos reproduzindo ciclos de violência que começam na infância e se perpetuam na vida adulta. Combater isso exige coragem para nomear o problema, disciplina para enfrentá-lo e compromisso real com a formação de uma geração que entenda, de forma definitiva, que racismo não é opinião é crime e é falha de humanidade.
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