“Canta Meu Borel”: compositores transformam amor pela Unidos da Tijuca em samba de exaltação
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Por Renata Campagnuci

A paixão pela Unidos da Tijuca foi o ponto de partida para os compositores Júlio Page e Gabriel Machado criarem “Canta Meu Borel”, um samba de exaltação dedicado à escola do Morro do Borel. Mais do que uma composição voltada para disputa, a obra nasce como uma declaração de amor à agremiação e à sua comunidade.
Júlio Page destacou que a ideia surgiu da relação construída ao longo dos anos com a escola e da vontade de demonstrar esse sentimento para além da disputa de samba-enredo.
“Eu e Gabriel somos compositores da Unidos da Tijuca e temos uma relação muito forte com a escola. O Gabriel tem uma história desde antes de nascer, é realmente cria da casa, e eu também venho construindo essa caminhada como compositor da Tijuca. A dedicação maior do compositor acaba sendo a disputa de samba, mas a relação com a escola vai muito além disso”, afirmou.
O compositor relembrou ainda a trajetória da parceria dentro da agremiação.
“O Gabriel já chegou a seis finais na escola e, desde que passamos a assinar juntos os sambas de cabeça, ao lado dos nossos parceiros, chegamos às duas últimas finais. É uma história crescente dentro da Tijuca, algo que nos deixa muito felizes”, disse.
Segundo Júlio, o objetivo principal foi eternizar em forma de música a identidade que ambos carregam com a escola.
“A gente quis expressar essa nossa identidade com a Tijuca, algo que nos agrada e nos faz felizes. Falamos: ‘Precisamos fazer coisas pela nossa escola para além da disputa de samba’. Então surgiu a ideia de fazer um samba de exaltação, uma declaração de amor para a Unidos da Tijuca”, completou.
O compositor também ressaltou a importância da proximidade entre os autores de samba e suas agremiações.
“Tenho participado cada vez mais da vida da escola, da Tijuca, do Borel, da comunidade e das atividades em geral. Quando você ama uma escola, é isso. Claro que existe o sonho de vencer uma disputa e ver o samba na Sapucaí, mas também existe essa relação afetiva com a agremiação. Hoje existe uma discussão importante no mundo do samba sobre a relação dos compositores com suas escolas e isso precisa mesmo ser debatido. A partir disso, pensamos: ‘Vamos fazer um samba para nossa escola’. Estamos muito felizes com o resultado de ‘Canta Meu Borel’”, declarou.
Gabriel Machado também falou sobre a motivação para criar o samba e reforçou o sentimento de pertencimento à escola.
“Hoje a Tijuca já possui um samba de exaltação que, para mim, é um dos mais bonitos do Carnaval, ‘O Dia Vai Chegar’. Mas eu e Júlio queríamos expor nosso amor pela escola em forma de samba. Um samba de declaração de amor à Tijuca, independentemente de virar ou não um samba de exaltação oficial”, contou.
O compositor destacou que o sentimento pela azul e amarelo vai além do período carnavalesco.
“Sou um tijucano apaixonado todos os dias, não apenas durante as disputas de samba. A ideia foi demonstrar esse amor que vai além do enredo e do Carnaval do ano seguinte. É um amor diário e nosso objetivo é tocar todo tijucano que ama a escola assim como nós”, afirmou.
Gabriel também definiu a Unidos da Tijuca como parte fundamental da sua vida e da sua história familiar.
“Sou apaixonado pelo Carnaval e, principalmente, pela Unidos da Tijuca. Esse amor vem desde muito cedo, passado pelo meu pai. A Tijuca é minha segunda casa, é uma família. Sou daqueles que decoram todos os sambas da escola, que conhecem vários sambas da disputa de cabeça e torcem pelo melhor para a escola, mesmo estando na competição. Antes de tudo, sou um torcedor querendo o melhor para a Tijuca”, disse.
“A Unidos da Tijuca é uma paixão que carrego comigo. Não é apenas um remédio para os meus ouvidos, mas também a grande inspiração dos meus versos”, finalizou.
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